MANDATO AUTÁRQUICO: DOIS ANOS
O mandato autárquico acaba de fazer dois anos e, na qualidade de Vereador da Município do Cartaxo, representante da CDU - Coligação Democrática Unitária, devo em primeiro lugar fazer uma observação (apenas pessoal): o poder político a tempo inteiro na Câmara (do Cartaxo) tem tido alguma paciÊNCIA…
Isto é verdade: noutros Municípios que conheço, as «oposições» não beneficiam da visibilidade que aqui nos é permitida: a linha da frente nas inaugurações, a primeira fila nas cerimónias, os convites para alguns eventos locais e a sucessiva ausência dos Vereadores da «maioria» em algumas organizações.
Porém, estes dois anos têm decorrido sob o auspício das promessas, das intenções, da esperança e da translucidez.
De PROMESSAS, pois «colocando-se ao lado das soluções» não nos parece que os problemas sejam devidamente diagnosticados, pelo que as formas de intervenção se transformam quase sempre em remendos políticos sem futuro. Como exemplo, temos a situação das linhas de água transformadas na maior parte da sua extensão em esgotos a céu aberto: onde está a solução?
De INTENÇÕES, porquanto esta Câmara tem sido profícua em projectos de dimensão avultada, a maior parte deles sem qualquer possibilidade de concretização no espaço temporal do mandato, pois o seu custo financeiro ultrapassa em muito todos os horizontes económicos realistas. Falemos apenas na União dos Jardins e no Pavilhão Municipal, exemplos mais carismáticos de apenas intenções.
De ESPERANÇA, até diria, de verdadeira profissão de fé num QREN (atrasadíssimo) cujas regras permitirão apenas muito pouco do que está previsto, porquanto os seus pilares se consubstanciam na qualificação, formação e empregabilidade, na coesão territorial no âmbito do ambiente e qualidade de vida, e na competitividade e inovação. Veja-se o que é pretendido pelo «Cartaxo 2020, Nova Ambição» … o futuro do Concelho é contabilizado em cento e sessenta e cinco milhões de euros! O Povo também se refere a um ovo que nem sempre é certo numa determinada parte do corpo da galinha… história que cabe perfeitamente nos Fundos de Coesão disputados pela CULT.
E finalmente de TRANSLUCIDEZ, isto é, nem sempre o que parece é, ou melhor dizendo, tudo pode ser alguma coisa mesmo que não pareça. O exemplo mais miudinho é a constante ocultação de informação à oposição – desde a listagem do pessoal contratado, assessores e avençados, até à rescisão do contrato da Praça de Touros, desde os critérios para a elaboração dos protocolos com as associações e colectividades até ao apoio ao desenvolvimento do comércio tradicional; a última foi a notícia do apoio milionário dado a um clube de futebol do Concelho para pagamento de dívidas decorrentes de uma gestão desequilibrada (referimo-nos ao equilíbrio entre a receita e a despesa) … e a informação através da Comunicação Social de que em sessão de Câmara iria ser apresentado um “dossier” sobre os subsídios atribuídos aos clubes de futebol…
Para terminar estes dois anos de mandato ficou ainda uma realidade que nos marcou profundamente: o novo regime de contrato individual de trabalho proposto no âmbito do novo quadro de pessoal do Município assenta em princípios neo-liberais de gestão da causa pública e a ele nos opusemos porquanto não queremos ser responsabilizados pela redução do quadro efectivo do Município e pela sua transformação num quadro de pessoal contratado, sujeito a todas as vicissitudes que por demais conhecemos.
