Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou
19. February 2012
Mário Reis
Senhor Presidente,
Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V. Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido. Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V. Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estoico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V. Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V. Exa endossados, qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa. Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilâmine como cinzento chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika.
António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011
Não sei quem é, mas escreve MUITO BEM e diz tudo o que eu penso!!
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A crise (real) e a crise (ampliada) - o que a crise (propragandeada) provoca !
3. January 2012
Mário Reis
A crise
Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorros quentes.
Não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia os melhores cachorros-quentes da região.
Preocupava-se com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava.
As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e as melhores salsichas.
Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses.
O negócio prosperava…
Os seus cachorros-quentes eram os melhores!
Com o dinheiro que ganhou conseguiu pagar uma boa escola ao filho.
O miúdo cresceu e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.
Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo cachorros-quentes feitos com os melhores ingredientes e gastando dinheiro em cartazes, e teve uma séria conversa com o pai:
- Pai, não ouve rádio? Não vê televisão? Não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Há que economizar!
Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou:
Bem, se o meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode ter razão!
Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato (e, é claro, pior).
Começou a comprar salsichas mais baratas (que eram, também, piores).
Para economizar, deixou de mandar fazer cartazes para colocar na estrada.
Abatido pela notícia da crise já não oferecia o seu produto em voz alta.
Tomadas essas ‘providências’, as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo até chegarem a níveis insuportáveis…
O negócio de cachorros-quentes do homem, que antes gerava recursos… faliu.
O pai, triste, disse ao filho: - Estavas certo filho, nós estamos no meio de uma grande crise. E comentou com os amigos, orgulhoso:
- ‘Bendita a hora em que pus o meu filho a estudar economia, ele é que me avisou da crise…’
VIVEMOS NUM MUNDO CONTAMINADO DE MáS NOTíCIAS E SE NãO TOMARMOS O DEVIDO CUIDADO, ESSAS MÁS NOTICIAS INFLUEN-CIAR-NOS-ÃO AO PONTO DE NOS ROUBAREM A PROSPERIDADE.
O texto original foi publicado a 24 de Fevereiro de 1958 num anúncio da Quaker State Metals Co.
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Mensagem de ano novo
30. December 2011
Mário Reis
http://www.pcp.pt/videos/mensagem-de-ano-novo-de-jer%C3%B3nimo-de-sousa
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Orçamento municipal para 2012
29. December 2011
Mário Reis
Declaração de voto do Vereador da CDU:
De orçamento participativo: nada! De claro continua a ter muito pouco.
Não acreditamos num orçamento cujas receitas correntes se baseiam na venda de bens e serviços e outras, num total de € 14.768.258.
Não acreditamos em receitas de capital que atingem o valor de € 37.662.876, justificadas a 78,61% nas transferências de capital designadas «outros».
Não acreditamos que seja possível transferir para as Freguesias € 3.226.358 e para outras entidades (certamente à Rumo 2029, às Associações e IPSS) € 5.963.058.
Não percebemos como é que as despesas com pessoal aumentam € 145.786, estando impedidas as novas contratações e havendo a subtração dos chamados subsídios de férias e de Natal.
Num ano de «crise», como o que se adivinha, não acreditamos num orçamento de € 63.861.815: o mais alto de todos os tempos no Concelho.
Sobre o quadro de pessoal e apesar de um esforço quase de adivinhação, dada a pouca legibilidade dos dados do atual documento, queremos apenas que nos confirmem se a redução de funcionários é de 62 para o ano de 2012
Como não acreditamos, votamos CONTRA a submissão à Assembleia Municipal da proposta de Grandes Opções do Plano, Orçamento para o ano de 2012.
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Valada
28. December 2011
Mário Reis
Na reunião de Câmara, realizada dia 28 de dezembro:
De Valada trazemos as fotografias que aqui exibimos, relativas apenas ao Caminho de Meias: não há «Limpar Portugal» que aguente!
É um problema adiado que merece uma rápida solução, estamos disponíveis para apresentar algumas, desde a recolha dos resíduos pura e simples, até à aplicação de taxas sobre os produtos. O que não pode continuar a acontecer são estes montes de resíduos plásticos, o seu enterramento ou, pior ainda, a sua queima (até dentro dos próprios contentores).
O eco-parque do Relvão recebe estes resíduos e até no aterro sanitário estarão melhor do que nos campos de Valada.
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VOTA NÃO!!
10. December 2011
Mário Reis
Eu não quero contribuir para os lucros de uma empresa privada:
VOTO NÃO!
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Urgências hospitalares?
7. December 2011
Mário Reis
Quando aqui chegarmos… talvez a voz da razão seja escutada!
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O MEU POSTAL DE NATAL 2011
2. December 2011
Mário Reis
Agora que se aproxima a ÉPOCA NATALÍCIA e porque somos por natureza SOLIDÁRIOS
MOVIMENTO ANTI-POPOTA, LEOPOLDINA E ARREDONDAMENTOS
É extraordinário como é fácil fazer grande caridade com o dinheiro dos outros!
Pedem-nos “apenas” dois euros e fazem-nos o favor de doar um para a caridade.
Claro que quem aparece a doar no final vários milhares são os donos dos grandes armazéns… com o nosso dinheiro!
Reparem no que diz o site de um desses supermercados: «Nestes últimos três anos conseguimos angariar (…) um montante superior a um milhão de euros.»
Extraordinário realmente, sobretudo se pensarmos que esse milhão de euros foi automaticamente deduzido dos impostos desta empresa… como se fosse dinheiro deles e não nosso.
Se querem dar para caridade deem diretamente…
Ou se eu vos pedir, vocês dão-me a mim para eu poder doar?
Então porque dão aos Modelos, Continentes, e Wortens?
Eles têm obrigação e responsabilidade social a cumprir!
Em vez de darem exijam!
Por isso é que eles são muito solidários: serve para abaterem nos impostos deles. Ao pagarem menos impostos, é menos dinheiro que o Estado encaixa para redistribuir pela ação social, segurança social, etc.
Ou seja, não está nada mal pensado, mas a favor destes espertinhos disfarçados de benfeitores!
NATAL 2011
IDEIA 1:
Que tal fazer algo diferente, este ano, no Natal?
Sim, Natal: daqui a pouco ele chega.
Ir a uma agência dos Correios (ou em http://painatalsolidario.ctt.pt/) e pegar numa cartinha de uma criança pobre e ser o seu Pai ou Mãe Natal?
Há informações de que há pedidos inacreditáveis.
Há crianças a pedir um pacote de bolachas, uma blusa de frio para a avó…
É uma ideia.
É só pegar numa carta, e entregar o presente numa agência dos Correios até ao dia
20 de Dezembro.
Os Correios encarregam-se de fazer a entrega.
Imagine uma criança pobre, recebendo o presente que pediu ao Pai Natal.
IDEIA 2:
Vamos comprar os presentes de Natal através de pequenos empreendedores: a vizinha que vende doces caseiros, o artesão que faz bijutaria, a nossa amiga que vende pela internet, a avó que faz malinhas em tricô ou aquele artista que pinta quadros…
Façamos com que o nosso dinheiro chegue a pessoas comuns e não às grandes multinacionais. Assim também estaremos a contribuir para que mais alguém tenha um Feliz Natal.
Na vida, passamos por 3 fases:
- a primeira, quando acreditamos no Pai Natal;
- a segunda, quando deixamos de acreditar e
- a terceira, quando nos tornamos Pai Natal.
«Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento.» Albert Einstein
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